Lote 12 Lote 14 Revista da Marinha Brasileira, ed. 54 pg. 236 em 1897 Revista digital Hermomt.png ? imagem internet FAROL DO CRISTÓVÃO PEREIRA Foto de Arthur Becker CRISTÓVÃO PEREIRA DE ABREU (13/07/1678 ? 22/11/1755) Fundador e desbravador das terras do Continente de São Pedro Prefeitura Municipal de Mostardas Secretaria Mun. Turismo e Cultura PESQUISA: www.marisaguedeshistoriadora.com Historiadora, genealogista e escritora Lote 17 A FAMILIA Cristóvão Pereira de Abreu nasceu no dia 13 de julho de 1678 na Freguesia do Fontão em Ponte de Lima no norte de Portugal. Batizado na Capela de São Cristóvão (foto) na mesma Freguesia. Foto de Marisa Guedes Filho de João de Abreu Filgueira (mais tarde passou a João de Abreu Figueiredo) e Leonor de Amorim Pereira. Tinha ao que se sabe seis irmãos. Tinha 30 anos, em 1708 quando casou na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, com dona Clara Maria Apolinária de Amorim, descendente de uma ilustre família fluminense, integrando-se nas elites políticas e economicas locais. Casou com Clara Maria Apolinário de Amorim em 1708, na Igreja da Candelária no Rio de Janeiro. Tiveram os filhos Leonor Maria Amorim Pereira, casada com Miguel Gonçalves de Siqueira, Intendente do Distrito do Serro do Frio, rico fazendeiro e contratador de diamantes, falecido em 1751 na sua Fazenda do Resfriado, no Arraial de Santo António de Itacambira, na Demarcação Diamantina, e Antônio Pereira. Clara faleceu em 1715 ou 1719 no Rio de Janeiro. O TROPEIRO CRISTÓVÃO PEREIRA Consta que vem para o Brasil em 1698 com 20 anos, e partir de 1703 aos 25 anos, percorre de Colônia (Uruguai) com sua atividade no negócio dos couros, contrabandeando e negociando com o s índios, estimando-se haver transportado cerca de 500 mil couros no total. Neste convívio com os índios consegue livre acesso pelo território do Rio Grande de São Pedro, o que facilita a abertura do Caminho das Praias, rumo a São Paulo com tropas de muares, cavalos e gado. Despois da morte de sua mulher, em 1715, regressa ao Sacramento. Na transição da década de vinte para a década de trinta, desbrava terras e construi pontes, cria um trilho que garantia um fluxo constante e regular do gado cavalar, muar e vacum entre a região do Rio Grande do Sul e S. Paulo, abrindo, entre 1727/30, o acesso à Serra do Mar, até Lages, através do Morro dos Conventos e barra do Rio Ararangué. Por volta de 1729, contava com 2 mil animais cavalares e com 130 tropeiros levando gado e mulas para a região das Minas Gerais. Este roteiro comercial dá origem a formação de núcleos populacionais, como Santo Antonio da Patrulha, Rolante, São Francisco de Paula, Vacaria, Rio Grande, Mostardas, Torres entre outros. Em Mostardas mantinha na segunda metade da dácada de 1730 uma usina da cal, onde hoje é conhecido como Caieira, onde trabalhavam seis funcionários na extração da cal, que era mandado para Rio Grande pela lagos dos Patos. Em 1737, o Coronel Cristóvão Pereira de Abreu, juntamente com o Tenente Francisco de Sousa e Faria e o Capitão Domingos Gomes Ribeiro, colaboram com o Brigadeiro José da Silva Pais na instalação do forte Jesus, Maria e José no Rio Grande, que estará na origem do povoado de Rio Grande de São Pedro, elevado a vila em 1747. CAMINHO DAS TROPAS Em 1738 é criada a Fazenda Real do Bojurú, com guardas no Estreito e nas Mustardas, dando inicío a distribuição de Sesmarias aos militares da nossa região. Em maio de 1747, como remuneração pelos seus serviços, é concedida ao tropeiro Cristóvão de Abreu a mercê de metade dos direitos que pagavam os gados e cavalgaduras que entravam na Capitania de S. Paulo, pelo registro de Curitiba, por um período de doze anos. Os seus cabedais aumentam, incluindo-se no rol dos seus bens a Fazenda de Cima da Serra e propriedades em Montevideu e Minas Gerais. O conhecido Rincão do Cristóvão Pereira se extendia de Viamão até São José do Norte. Morre em 22 de novembro 1755, na vila de Rio Grande, no decurso da expedição realizada com o fito de demarcar os limites do Tratado de Madrid (1750). Foi sepultado na Capela Nossa Senhora da Lapa em Rio Grande. Lote 17 HISTORIA DO COBERTOR MOSTARDEIRO A tradição dos Cobertores Mostardeiros se perde no tempo e na memória de nossa cidade de Mostardas. A velha arte de fiar foi herdada dos imigrantes açorianos que colonizaram estas terras a partir de 1763, fugidos de Rio Grande e, posteriormente, na década de 1770, quando começaram a chegar os casais açorianos em Mostardas. Nos tempos da escravatura, os negros usavam os ?trapilhos? ou ?trapeiros?, confeccionados nos teares, que eram feitos das roupas velhas dos seus senhores, cortadas em tiras. No inverno junto com o tecido utilizavam a lã. A primeira roca e o tear, para fiar e tecer, foram trazidas por uma família açoriana para o município há mais de duzentos anos. Primeiro utilizavam o algodão, plantado numa torna que depois acabou. Com o fim do algodão, passaram a utilizar a lã do rebanho local. Em 1820, o naturalista francês Saint - Hilaire encontrou na península o artesanato em lã de Mostardas, relatando em seu livro da seguinte forma: ?A principal indústria da região é a criação de carneiros. Cada estancieiro possui um rebanho constituído frequentemente de vários milhares de carneiros e, com a lã produzida, as mulheres fabricam os tecidos dos ponchos grosseiros que se vendem à razão de seis patacas, enviando-os a Porto Alegre, Rio Grande e outras localidades. Tais ponchos são brancos com riscas pretas ou pardas e apenas usados pelos negros e índios?. GERSUMINA MARIA DA CONCEIÇÃO Gersumina por Rose Garcia do IGTF. Por muitas décadas se difundiu a informação de que o ?Cobertor Mostardeiro? seria herança dos escravos. Isto se deve, acredito, pelo fato de que a mais antiga artesã de lã crua de Mostardas e considerada a mais velha tecelã do Rio Grande do Sul, nas décadas de 1960, 70 e 80 foi Gersumina Maria da Conceição. Mais conhecida como ?Comadre Sulina?, que faleceu em 24 de julho de 1988, faltando apenas um mês para completar 100 anos. Filha de escravizados, Gersumina nasceu em 24 de agosto de 1888 um dia antes da festa do padroeiro de Mostardas ?São Luiz Rei?. Desde muito moça, pelo ano de 1901, iniciou seu trabalho com lã, orientada por sua mãe que herdou a técnica de sua avó, que era escrava. Dona Sulina, depois que enviuvou, voltou a tecer cobertores. Fazia o trabalho sozinha, desde a lavagem, tingimento, abertura, cardagem, fiação da lã e tecelagem. Depois ensinou a técnica a sua filha Ana Motta, que passou a trabalhar com ela. COBERTOR MOSTARDEIRO Prefeitura Municipal de Mostardas Secretaria de Turismo e Cultura www.marisaguedeshistoriadora.com Historiadora, genealogista e escritora Lote 17 CONFECÇÃO DO COBERTOR A maneira de cardar, urdir e fiar continuam seguindo a tradição ancestral. Após a tosquia das ovelhas são necessários 12 quilos de lã, em média, para a confecção de um cobertor grande, que no final do processo chega a pesar 5,5 quilos. A lã é escaldada em água quente e depois lavada em água fria com sabão para tirar a gordura do velo. Depois de seca é batida para retirar ainda alguma areia que fica presa nos fios. No processo de abertura dos velos é retirada alguma sujeira que ainda persiste. Após a lã é cardar para obter a pasta que será fiada. As pastas são torcidas no fuso manual ou roca. Na foto Marisa Guedes fiando. Os fios estão prontos para a tecelagem Orlanda Duarte tecendo Cobertor Mostardeiro Trapeiro feito por Marieta Conceição, filha de Gersumina, e fotografada por Ilka Portes. Normalmente utiliza-se lã crua nas cores branca e marrom escuro de acordo com a raça da ovelha. Em alguns casos é tingida com corantes naturais como cascas de goiaba, casca de cebola, coração do cacho de banana (cor roxa), sementes de urucum, prego enferrujado, erva mate, etc. Boneca artesã da Ilha Terceira/Açores. Em 1992 a Prefeitura Municipal construiu um um quiosque na Praça Luiz Martins para a comercialização dos produtos em lã feitos no Artesanato de Mostardas. E o ?Cobertor Mostardeiro?, conhecido em todo Brasil e exterior, em 30/09/2009, foi instituído como Símbolo Cultural do Município de Mostardas pela Lei Nº 2591/09. Lote 17 CASARIO AÇORIANO Foram mantidas da influência externa as características açorianas do centro histórico de Mostardas formado pelas ruas Independência e 15 de Novembro no centro da cidade devido, em grande parte, pelo difícil acesso que esta comunidade enfrentou até a década de 1990, sem estrada asfaltada de acesso aos grandes centros. Com o intuito de preservar nossa história, foi criada através do Decreto N° 1548 de 10 de maio de 1990 a zona de Proteção Especial, que suspende demolições, construções e reformas neste perímetro entre as ruas Independência e 15 de Novembro, salvo seja feito estudo pela comissão da Secretaria de Obras e Cultura do município, e prevê incentivos aos moradores que preservassem o casario antigo. Segundo a Engenheira Rita Helena Patussi, que visitou o município em 1990 e auxiliou na assessoria da preservação da Igreja e Casario, ?a arquitetura do núcleo inicial, embora tenha sofrido alterações, ainda mantém as características fundamentais. O que mais chama a atenção de um visitante são edificações no alinhamento da rua, volumetria homogênea, ritmo das aberturas (portas e janelas de mesma dimensão, com distâncias semelhantes entre si); coberturas em telha colonial, na sua maioria em duas águas e com beiral; lotes estreitos e profundos; uso de tijolos e madeira nas construções?. De 1990 para cá outras alterações vem sendo observadas, mas o papel da comunidade e poder público através das escolas e entidades devem ser enfatizados quanto à valorização das nossas raízes açorianas, pois este é importante polo turístico para o município. CENTRO HISTÓRICO Prefeitura Municipal de Mostardas Secretaria de Turismo e Cultura www.marisaguedeshistoriadora.com Historiadora, genealogista e escritora 1 RUA INDEPENDENCIA 3 4 5 2 RUA LUIZ ARAÚJO PRAÇA RUA 15 DE NOVEMBRO 6, 7, 8 RUA ALM. TAMANDARE 9 RUA JULIO DE CASTILHOS 10 Lote 17 ROTEIRO HISTORICO 1. CASA DA CULTURA - Rua Independência 740 Casa açoriana rural. Foi utilizada como subintendência, delegacia de polícia, banco, escola, junta de serviço militar, artesanato. A prefeitura funcionou de 1964 até a construção do prédio atual em 1980. Onde é a recepção funcionava o estábulo. 2. BANCO NACIONAL DO COMÉRCIO Rua 15 de Novembro 671 Em 1954, a rua era de chão batido. Quando chovia, com a passagem dos carros o barro saltava até a altura das janelas. Na grade de ferro onde tem o círculo ficava o emblema do banco. 3. CÂMARA DE VEREADORES - 1913 Rua 15 de Novembro 648 No prédio funcionou o Bar e Café América. Fundado em 1945 por Chico Pedro, foi vendido em 1960 para Quendé e seu irmão Pedrinho. Em 2002 o prédio foi adquirido pela prefeitura que depois de reformado passou a abrigar a Câmara de Vereadores. 4. MEGA INFORMÁTICA - 1913 Rua Luiz Araújo 819 Conhecida como Casa Machado, foi comércio de secos e molhados, ferragem, tecidos e couros. Foi o primeiro posto de combustíveis da cidade e o primeiro prédio com agua encanada. O proprietário Francisco Pedro Machado foi homenageado com seu nome na rua ?Chico Pedro? como era conhecido. 5. IGREJA MATRIZ SÃO LUIZ REI - 1811 Rua Luiz Araújo A Freguesia São Luiz Rei foi a sétima freguesia da Província de São Pedro. E Igreja construída em 1811, seu altar mor em estilo neoclássico só foi instalado em 1817. Antes havia uma Igreja menor datada de 1773. 6. HOTEL SÃO LUIZ - 1808 Rua 15 de Novembro 533 O Hotel São Luiz ainda conserva características da construção. É possível ser visitado. Guarda também muitos objetos da época. 7 ? 8. SOBRADO E BAR DO GORDO - 1808 Rua 15 de Novembro 527 e 519 Estes dois prédios faziam parte de uma mesma casa, com o tempo foram divididos entre os herdeiros. Havia um segundo sobrado na mesma rua. 9. HOSPITAL - 1943 Rua Almirante Tamandaré 864 Começou a funcionar somente em 1946. No início não tinha cozinha, toda alimentação para os doentes vinha do Hotel Caetano. Ao lado do prédio tem duas estrelas: a estrela de 5 pontas símbolo das 5 chagas de Cristo (sinal de força e energia) e a outra de 8 pontas significa regeneração. 10. CASA MAÇÔNICA Rua Julio de Castilhos 842 Construída no início de 1900, funcionou como Loja Maçônica em 1910 a 1911. Os Mestres vinham de Rio Grande. Depois funcionou o Hotel Caetano e hoje ainda é usado como pousada. Além do símbolo da Maçonaria tem as iniciais CVM (Crispim Velho Machado). Lote 17 Padre Simão Moser Foto Casa da Cultura Foto Igreja Matriz de Mostardas Igreja São Luiz de Mostardas Foto Larri Grossmann Gomes Foto Paula Porciúncula Padre Simão Moser (15/10/1904 ? 04/10/1980) Padre Simão, como era conhecido em Mostardas, ali habitou por 29 anos antes de falecer na terra que elegeu para viver. Prefeitura Municipal de Mostardas Secretaria de Turismo e Cultura WWW.marisaguedeshistoriadora.com Historiadora, genealogista e escritora Lote 17 PADRE SIMÃO MOSER E FAMÍILIA Foto da Casa da Cultura Na foto, em pé, da esquerda para a direita, estão os irmãos Josef, Simon e Peter. Sentados, estão Notburga (irmã), Theresia (mãe), Peter (pai) e Michael. Simon Moser (grafia original de seu nome) nasceu em Thierbach Wildschönau na Áustria em 15 de outubro de 1904. Era o segundo filho entre seis irmãos de Theresia e Peter Moser. A irmã Marie não aparece na foto. O primogênito Peter seguiu o serviço militar e Simon o eclesiástico, assim como era o costume das famílias na época. Em 1933, Peter Moser, o irmão mais velho de Padre Simão, veio para o Brasil acompanhando o Ex-Ministro da Agricultura da Áustria Andreas Thaler, num momento em que a Áustria buscava soluções para minimizar o sofrimento de sua população que se encontrava em uma crise generalizada. Encontraram no sul do Brasil condições necessárias para a migração das famílias austríacas. Assim fundaram em 13 de outubro de 1933 o município de Treze Tílias em Santa Catarina. Simão Moser, em 1929 já com 25 anos, passou a estudar em Salzburgo, cidade austríaca na fronteira com a Alemanha e com vista para ao Alpes Orientais. A cidade é dividida pelo rio Salzach, sendo que na margem esquerda fica a cidade antiga chamada Altstadt, com construções medievais e barrocas, famosa por ali ter nascido o compositor Mozart; já a margem direita está a cidade nova chamada Neustadt. A VOCAÇÃO Em 21/8/1934, Simão entrou no Brasil pelo porto de Rio Grande possivelmente em intercâmbio, pois em vários documentos brasileiros consta o carimbo da Universidade de Innsbruck. O intercâmbio foi feito para atender ao Curso de Teologia no Seminário Central de São Leopoldo, lugar onde morou de 1934 até meados de 1937. Retornou para Áustria em 02/04/1937 para ser ordenado Padre em 25/07/1937, aos 33 anos. Após, regressou ao Brasil em 28/08/1937 e escolheu residir no nosso país até o dia de sua morte. Antes de vir para Mostardas em 1951 o Padre Simão Moser atuou nas paróquias de Itá e Seára/SC. Da mesma forma que atuou nos hospitais de Itá e Seara em Santa Catarina, também contribuiu com o Hospital São Luiz de Mostardas, sendo seu presidente de 29/12/1957 a 20/12/1959. Padre Simão orientou a criação de capelas em Mostardas e nas localidades de Solidão, Rincão do Cristóvão Pereira, Teixeiras e Barros. Foram então criadas a Capela Sagrado Coração de Jesus na Solidão em 1954 e a Capela Nossa Senhora das Graças no Rincão do Cristóvão Pereira em maio de 1963. Antes da criação dessas capelas, a primeira comunhão, as missas, os casamentos, as crismas e os batizados eram realizados nas escolas ou nas casas de pessoas da comunidade. Conta-se que o padre saía a cavalo muito cedo de Mostardas em direção às comunidades onde eram realizados tais eventos. Ele seguidamente chegava atrasado, pois levada de 3 a 6 horas para chegar dependendo da distância. No caso da primeira comunhão, ao chegar nas casas ainda realizava as confissões para depois celebrar a missa e dar a primeira comunhão. Como era do costume da época, a primeira comunhão tinha que ser tomada em jejum, por isso algumas crianças desmaiavam com o atraso. Lote 17 Lote 18 Lote 19 Lote 22 Lote 23